25/02/2009

Pedro Martinelli: arqueólogo da cozinha



Pedro Martinelli é daqueles fotógrafos que vão fundo. Ele acaba de editar um livro, Gente versus Mato, em edição do autor, que é uma incursão no Brasil que quase não há mais. Um dos capítulos do livro é “Comida”, que abre com a foto acima, uma cuia de tanajuras. Essas bundas de formiga saúva em fase reprodutiva os índios comem cruas, ao passo que os caboclos fazem farofa com elas.
Para quem gosta de “identidade” a formiga é um prato cheio, ou melhor, um signo perfeito. Até começo do século XX, os paulistas comiam formigas e construíam mimos para presentes com ela (Ver Dante Martins Teixeira, Nelson Papavero, Miguel Angel Monné, “Insetos em presépios e as “formigas vestidas” de Jules Martin (1832-1906): uma curiosa manufatura paulistana do final do século XIX”, Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Série. v.16. n.2. p. 101-123. jul.- dez 2008). Depois, mais “civilizados”, foram ficando envergonhados dessa prática adotada dos índios, conforme esta estrofe atesta:

“Comendo içá, comendo cambuquira
Vive a afamada gente paulistana
E aquelas a que chamam caipira
Que parecem não ser da raça humana”

Depois, veio aquela máxima modernista: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Hoje, ambos se estranham.

1 comentários:

carlos dória disse...

oi. teste

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