05/05/2012

A defesa do vinho em várias frentes

É muito dura a luta para sustentar o vinho. A prefeitura ira perseguir de modo implacável na Virada a venda de “vinho quimico”, uma gororoba feita com álcool etílico, corante e essência de groselha. Ano passado, apreendeu 22 toneladas disso. O teor alcoólico da bebida é de 96%. Não é vinho, claro, mas o nome adotado diz tudo sobre o desejo de vinho.

No século XIX, durante a crise da filoxera, os franceses se entregaram a algo semelhante: álcool, uva-passa do Libano ou Grécia, corante e assim por diante. Com a recuperação dos vinhedos isso passou a ser chamado "fraude" ou “falsificação”.

Mas agora temos, entre nós, o ataque do lobby do vinho nacional contra o vinho dos vizinhos. Não satisfeitos com o acordo que estatui um valor mínimo para o litro de vinho importado (US$10!), querem instituir cotas também.

Tomei recentemente uns vinhos do Vale do São Francisco. Francamente, eu passo. E fico imaginando que eles podem se tornar quase obrigatórios para certas faixas da população, numa nítida regressão do paladar, que foi tão dificil educar - migrando da “garrafa azul” para padrões melhores.

Em junho haverá uma “audiência pública” sobre as tais cotas. É uma forma de o governo medir as forças dos lobbies contrários antes de tomar uma decisão de natureza impositiva. Será bem ruim se os produtores brasileiros fizerem mais barulho do que o outro lado (importadores e consumidores).

4 comentários:

Anônimo disse...

infelizmente acho que esse lobby vai ser aprovado. um vinho que custa, digamos, o equivalente a 15 reais na argentina/chile já é uns 34 aqui, agora vai ser bem mais...

os de regiões mais distantes tem ainda outros fatores (transporte) que é melhor nem pensar em preços (mas não sei se estão envolvidas novas taxações a esses)

sem contar que os vinhos brasileiros sempre vão ser mais lembrados por esse lobby descarado do que por alguma discussão de ter ou não a qualidade que uns dizem

carlos alberto doria disse...

Anônimo, a história AINDA não terminou...

Rodrigo Santiago disse...

O Adolfo Lona, no blog dele, aponta um erro de foco quando o assunto é a defesa do vinho nacional. Eis o link. http://adolfolona.blogspot.com.br/2012/03/o-alvo-continua-errado.html

E julgar o vinnho nacional por amostragem com um rótulo do Vale do São Francisco é um tiro no pé. A safra de 2011 já foi reconhecida como histórica. Vale a pena conferir.

carlos alberto doria disse...

Rodrigo, gostaria mesmo de tomar vinhos do São Francisco que me fizessem mudar de opinião. Você pode me indicar aqueles que custem igual ou menos do que um espanhol médio? Por que esse limite? Porque Michel Roland, consultor de vinicolas lá, disse que jamais conseguiria produzir um vinho na região com mais de 75 pontos "parker".
Abraços

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