10/05/2012

Leitor de 5ª: uísque versus cachaça

Jornalismo sem sair de casa, é a capa do Paladar. Com grande antecipação, esmiuça o programa do 6º Paladar - Cozinha do Brasil. A razão da matéria só pode ser a venda antecipada de ingressos. Também tem matéria, essa retardatária, sobre a Virada.

A melhor matéria sobre gastronomia do Estadão não está, porém, no caderno Paladar, mas no Metrópole e mostra a “moda dos espanhóis”, isto é, a profusão de restaurantes inspirados na Espanha - em formatos para luluzinhas a baladeiros da baixa-Augusta. Interessante ver como, no Brasil, o modelo de serviço se modificou, sendo tapas servidos à mesa, e não no balcão. Mais serviço, mais custo, mais preço numa trajetoria que, parece, tem o céu por limite.

Uisque em alta de consumo no Brasil é matéria de capa de Comida. Somos o 8º maior importador, com 48% de aumento em relação ao ano anterior. A matéria da Luiza Fecarotta é bem interessante. Só faltou uma pergunta: por que esse aumento de consumo? Ela fala em “quebra de preconceito”. Eu arriscaria explicação adicional: o preço. Um uísque 8 anos está custando entre R$ 50-60. As cachaças melhores, como a Germana, custam R$ 60. A Canarinho, R$ 100. E - cá entre nós, nacionalismo à parte - o uísque é uma bebida de qualidade superior.

Ainda no Comida, matéria sobre pimentas, capitaneada por Lourdes Hernández, é claro. Ela fala o que acha de cada uma, dentre as mais comuns. Não gosta da biquinho. Também, pudera, é um híbrido desenvolvido pela Embrapa de Minas, atenuando ardores. Também a pimenta-de-cheiro do Pará vem perdendo picância, segundo constatei por lá, em razão da seleção artificial orientada pelo gosto dos consumidores.

Matéria sobre bolo de noiva no Comida devia ser interditada pela saúde pública. Na receita, a proporção de farinha e açúcar é 1/1, sem contar o açúcar da cobertura. E ainda se reforça o vicio, atribuindo-se a Gilberto Freyre que o nordestino é um povo que “depois de salgar o estômago, não dispensa o adoçar a boca”. Acaso ele disse para encher de açúcar?

Texto de Josimar procura suavizar o sentido da “queda” do Fasano no 50 Best. Nos diz que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O Fasano é bom mas é ou tradicional ou velho. Tá certo. O dificil mesmo era explicar por que estava entre modernos e ousados.

No Paladar, Luiz Américo resenha o Brasil a Gosto, que está com menu evocativo da influencia portuguesa sobre a nossa culinária. Luiz Horta visita o Castello di Ama na Toscana.

Nina Horta ensina que “a graça de uma receita é ver a comida final emergindo dos objetos que usamos”. Receita, para ela, é uma memória de trabalho de um autor que não precisa ser uma camisa de força para quem lê e busca fazer. “É prestar atenção para escolher aquelas que mais combinam com o nosso modo de ser”. É assim que penso, mas precisei escrever um tantão sobre o tema para passar uma idéia aproximada a isso que a Nina nos mostra com delicadeza e graça.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi
Carlos Alberto

Perdoa a minha ignorância, mas o COMIDA referido
no texto trata-se do que ? é um blog ? um jornal ? ou uma revista ? Gostaria muito de ler sobre as matérias relacionadas acima...

um abraço
LFGastal Pelotas RS (lf.gastal@terra.com.br)

carlos alberto doria disse...

Trata-se do suplemento de gastronomia da Folha de São Paulo; assim como Paladar é d´O Estado de São Paulo - ambos jornais da capital paulista.

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