29/11/2012

Corintianos no Japão, vapor na Vila Madalena


Capa de Comida é Josimar Melo em Tóquio fazendo roteiro para os corintianos que irão assistir ao Mundial de Clubes, comendo em isakayas. Viajou a convite do Baque Culinary Center, coisa que não entendi. Texto da carismática Mari Hirata dizendo que São Paulo é o melhor lugar para se comer em um japonês fora do Japão. Outro artigo, de Justin Mccury, do Guardian, sobre a radioatividade nos alimentos de lá (de Fukushima) por conta do tsunami. Enfim, um Japão multifacetado do ponto de vista culinário para quem só quer ver seu time jogar.

Boa edição da seção Picadinho. Vai acertando o passo. “Aplicativos” de chefs e restaurantes para celular; notícia da defecção de Raúl Jiménez do Clos de Tapas; notícia sobre debate da CBN no MIS, abordando cozinha paulista; como encomendar terrines, folhados e outras coisas no Deli Garage de Fernanda Valdívia (que não são “comidinhas”, como diz o título da nota, mas senhoras comidas. Tanto é que usualmente não se faz em casa...); e Buttina fazendo sorvetes artesanal de frutas do próprio quintal, sem emulsificante e estabilizante - coisa que a turma que faz fila no Bacio di Latte estranhará e achará um “defeito” do sorvete.

Alexandra Corvo defende a tese de que a conjugação do vinho deve se dar com o molho da comida, mais do que com o ingrediente básico. Não há combinação obrigatória com pizza, risoto ou carne. Varia.

Alexandra Forbes destaca o anti-vegetarianismo, isto é, o carnivorismo nos restaurantes do mundo. Chefes que “usam bichos e órgãos considerados descarte ou pouco valorizados, reduzem a quantidade monumental de comida que se desperdiça dia a dia. E ensinam uma lição àqueles para quem carne é aquilo rosa ou vermelho que vem em bandejinha de isopor”. Sei não. Não vejo pedagogia no sushi de esquilo de Martin Picard, em Montreal. E me indago sobre o longo percurso histórico que levou as elites nacionais a considerarem o file mignon a melhor carne, desprezando as entranhas e aparas, assim como as caças, coisas vivas na tradição popular - perspectiva da qual melhor entenderíamos a ação “saneadora” da desmoralizada Anvisa.

Nina Horta confessa vontade de polemizar, como Pondé, aquele conformista sem causa que investiu recentemente contra as pessoas que, no FaceBook, adotam codinomes indígenas. Ela fala em “palmito assado Kaiowaá”, que seria escandaloso. Mas no Brasil não adianta querer polemizar, pois em geral não se tem com quem. As polêmicas, quando há, são personalizadas, parecem ofensas; as pessoas não se falam mais, desqualificando o interlocutor, e assim por diante. O ideal de cordialidade esconde um narcisismo arrevesado, pois não se admite que ideias, teses, possam ter vida própria na cultura, desencarnadas daqueles que as expressam. Lá atrás, ninguém podia divergir da opinião do coronel. Claro, há muitos coronéis das letras...e alguns coronéis das panelas.

Paladar investe na cultura consumista do Natal. Capa é roteiro para compras. De uma Thermomix a um pilão. São 40 sugestões para quem não tem ideia do que comprar, quando a compulsão natalina bate à porta. 

Paladar  expõe também os resultados do Prêmio Paladar. Muito previsível tudo.

“Não fritamos, não grelhamos, não usamos chapa”. Assim se apresenta o Vapor, nova casa aberta na vila Madalena. Dos hamburgueres à sobremesa, tudo é cozido no vapor, segundo reportagem de Paladar. Uma técnica extraordinária, usada amplamente pelos chineses e japoneses, que por aqui não encontrava acolhimento por parte dos restaurantes. É uma boa notícia, se a moda pega.

6 comentários:

Leo Beraldo disse...

Só não vi lógica na seção "+ em conta": o Josimar Melo resenhar uma pizzaria que vende pizzas a 89 reais. Ele como crítico não se atentou para esse detalhe, ou era essa Maremonti tinha que entrar na edição?

Fernanda Vianna disse...

Dória, genial sua colocação de coronéis, não podemos escapar de nossa colonização e estrutura de poder incrustada em nossa sociedade! Gênio com voz internáutica. Viva a nova era!

setebocas.com disse...

Dória, se os resultados do prêmio Paladar foram previsíveis pra você, quais pratos "não-previsíveis" poderiam ter levado na sua opinião, considerando as categorias do prêmio?

Helcio Bueno

carlos alberto doria disse...

Helcio, acho que é tarefa dos jornais procurem ampliar os horizontes gastronômicos. Não posso crer que não existam coisas novas que precisam de atenção e incentivo. Chamar atenção para Alex Atala, Helena Rizzo, Rodrigo e tantos outros é repisar o que todo mundo já sabe. O mérito deles já está mais que reconhecido pelos leitores de Paladar. Gostaria então que a publicação se empenhasse em buscar novidades. É só isso. Não tenho uma lista minha alternativa...
Abraços

Helcio Bueno disse...

Acho que entre os indicados haviam coisas relativamente novas, como Aze, Aya, Attimo, A peixaria, Jiquitaia, Taberna 474, Tonel, Mangiare, Donostia, Ban, Sotero, Z-Deli...

Mas os pratos destes restaurantes não ganharam... Acho que no final realmente faltam novidades que sejam melhores que os que já estão aí bem estabelecidos. Exceção recente talvez seja o Epice...

Nesse caso acho difícil culpar o jornal, a culpa maior é dos novos restaurantes, que pouco se empenham em ser realmente excelentes, como é o Mani, DOM, Arturito, Epice, etc.

Abraço,

Helcio

carlos alberto doria disse...

Helcio, Tonel não é novo. Nem Z-Deli. Outros, novos, ainda nem se firmaram e já são incensados. Como você bem diz, falta é estofo como tem o Mani, o DOM, Epice. Arturito, depois da saída da Paola, tenho ouvido críticas fortes. Enfim, qual o sentido dessa classificação? Não consigo alcançar.
E não acho que seja culpa do jornal. Vejo como uma lógica de consagração cujas portas de entrada não são claras.
Considere também o que se coloca em "juri popular". O pudim de leite condensado vence com larga vantagem, é claro, mas não considero que seja gastronomia. Eu preferiria a pergunta: qual o melhor leite condensado? Moça, Marajoara, Carrefour? - se me expresso bem.
Abraços

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