21/05/2009

As boas "broncas" do Josimar


As “broncas” do Josimar são momentos altos do seu jornalismo gastronômico. Há aquela dos peixes do sushi, a dos falsos “grelhados” (na chapa) e, hoje, a de como azedar uma refeição.
Ontem almocei no tradicional Mocambo (Rua Teófilo Otoni, 24), na Candelária, no centro do Rio de Janeiro. E venho de uma semana de almoços e jantares em Buenos Aires. Por isso fiquei especialmente sensível a dois aspectos da crítica do Josimar:
1 – O couvert. Como ele diz, “na origem, é uma taxa que o restaurante cobra pela manutenção de seu equipamento. Mas, no Brasil, o couvert virou sinônimo de tira-gosto, e a taxa -que deveria ser proporcional ao conforto- passou a ser avaliada em relação aos petiscos servidos”. Na verdade, o “serviço” se resumia, no “de comer”, à oferta de pão e manteiga e, na França, acrescente-se uma garrafa de água. Básico. E podia ser bom. Em Buenos Aires continua assim nos restaurantes populares, bem como no Mocambo carioca. Em Buenos Aires, não passa de 7 pesos por pessoa (R$ 4,20). Quem quiser se entreter melhor que mergulhe nas entradas.
2 – O guardanapo. Acrescenta Josimar, ao criticar os guardanapos de papel: “em restaurantes de preços salgados, não dá para entender essa economia porca. Guardanapos de pano têm um custo para o estabelecimento, claro. Mas não parece que os preços cobrados em restaurante caros não poderiam absorver esse custo. Nosso lábios agradeceriam se pudessem se livrar daquela fricção”.
Eu diria ainda: o guardanapo, bem como a toalha, deveriam continuar a ser de algodão! Não por acaso ainda prevalecem em Buenos Aires. E estão presentes no Mocambo tradicional. Tão ou pior do que o guardanapo de papel são aqueles de tecido sintético, incapazes de absorver uma gota de água. Agressivos, horríveis. Alguns restaurantes se deram conta – como o Così – e voltaram para o guardanapo de algodão, mas tão pequeno que mais parece um lenço de bolso...
Minhas hipóteses. Os donos de restaurante perderam o pé. A noção de hospitalidade foi pro beleléu. A “economia” preside tudo. Parecem achar que os itens do conforto são anti-econômicos. E, burramente, fizeram do couvert um concorrente do capítulo das entradas. Matam as entradas quanto mais “apetitosos” e caros os couverts. E pensam que estacionar o carro é mais importante do que comer sobre toalhas de algodão. Não percebem que estão dando para os manobristas cerca de 10% ou mais da conta, o que bem poderia render, por exemplo, uma boa dose de uísque.

2 comentários:

marina disse...

Porque não fazemos um guia de criticas e mandamos a todos os restaurantes??
talvez alguns leiam...

Carlos Dória disse...

Marina,
faz parte da competição, da competência, conferir o que o público acha. Eles que procurem se informar, ora bolas! rs O negócio é deles.

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