06/07/2009

Grande Hotel Águas de São Pedro


Há anos, desde que foi reformado, costumo passar fins de semana no Grande Hotel Águas de São Pedro.
Gosto daquele jeitão de hotel de O Iluminado, do Kubrick, especialmente pelos corredores.
E gosto daquele nervosismo do pessoal em treinamento, dos pratos chapados na tradição clássica da hotelaria à Escoffier, ainda que sem a grandeza que tiveram; da feijoada de sábado e da possibilidade de fazer absolutamente nada, e sem culpa quando chove. “Só trabalho, sem diversão, faz de Jack um bobão” parecemos escrever no ar, ainda que sem o suspense d´O Iluminado.
É um hotel confortável. A cozinha se esforça, o serviço é atencioso. E, sempre que você vai, tem alguma coisa de O ano passado em Marienbad: tudo se repete.
A graça é viver, por alguns poucos dias, entre os dois filmes. Além dos resquícios de um decô que sempre me descansa do neo-clássico com o qual os júlios neves da vida poluem nossas vidas. As árvores cercando o hotel, os quatis passeando entre elas, são descanso adicional.
Comi um excelente magret de canard, uma ótima salada de frutos do mar (o polvo um pouco borrachento, mas os camarões em ponto que aprecio) e uma paella saborosa. Para três dias, está bom. Até a Nutella estava no lugar certo: no café da manhã, e não nas sobremesas. Mas preferi os excelentes waffles com maple.
Mas nem tudo é perfeito. Sendo um hotel-escola, deveria se demorar mais sobre as boas práticas atuais. As cocções à baixa temperatura, por exemplo. O uso mais moderado de açúcar. O frescor dos ingredientes: há profusão de ervilhas frescas no mercado, então por que sopa de ervilhas secas? E a carta de vinhos um pouco enciclopédica demais para o meu gosto. O parque em torno do hotel, que pretende ser pedagógico, também erra nas informações: o quati não é um animal carnívoro, como informa a placa de identificação.
Mas o maior defeito: guardanapos de tecido sintético, uma lixa para os lábios. Por que? Quando o algodão perdeu o seu lugar? Claro, os de algodão são mais caros. Mas o público do hotel não é exatamente aquele que clama por economias mesquinhas. Então, estamos diante de uma substituição com imperdoável perda de qualidade.
Mesmo assim, sempre que calha, volto lá...

4 comentários:

Sanny Braga disse...

Querido Dória, estou sempre aqui, te acompanhando,
quando você voltar para Águas de São Pedro venha visitar nosso restaurante,fica em Piracicaba, num
bairro residencial na Nova Piracicaba as margens do Rio, um lugar de beleza exuberante e comida Idem. Terei o maior prazer de preparar um menu especial para você.
Abraços
Sanny Braga

Carlos Dória disse...

Sanny,
se eu soubesse já teria ido ai, visitá-la! Está nos planos a partir de agora.
Abraços
Dória

Claudia disse...

Ervilhas secas, guardanapos de poliester e uma injustiça com os quatis... Se todos os problemas de um hotel fossem simples de resolver como esses coisa por aí estava boa.

Acho muito simpático o hotel escola, mas nunca fiquei hospedada, sempre paramos para comer, e faz tempo que não visito.

C.

Lucas disse...

Como hoteleiro e grande frequentador do GH me sinto no dever de apoiar o comentário acima. Como leitor deste Blog fico, de certa forma, confuso com a posição que o SENAC ocupa em seu conceito, em um momento alavancando suas ideias em eventos e livros publicados, e em outro sendo alvo de críticas que, se não me engano, foram estudadas em hospedagens cortesia do próprio Grande Hotel.
Se ao elaborar uma resposta coerente (o que eu espero que um grande colunista deva fazer com facilidade) o grande "mago da crítica" ainda tiver algum de seu valioso tempo, agradeceria se fosse a algum fórum científico nos revelar a nova descoberta sobre o "vegetarianismo" dos quatis, pois isto certamente iria nos levar a correção de todos os livros, o que pouparia a todos nós, incluindo o mortal Grande Hotel, da ignorância de considerá-los erroneamente como sendo da ordem "carnívora" (que em latim significa carnívora se não me engano).
Perdoe minha intromissão e obrigado pelo trabalho de trazer luz à nossa humanidade tão alienada.
Lucas.
(lucas.apenastextos@gmail.com)

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