26/10/2009

A precedência no direito costumeiro dos restaurantes

O Luiz Américo chama a atenção sobre a ordem de precedência no serviço dos restaurantes; ou melhor, para a desordem que tem se generalizado, preterindo-se as ladies em prol dos senhorios que, teoricamente, “pagam a conta”. É uma inversão total do antigo código da cavalaria!

E me lembrei que, invariavelmente, se você pede um refrigerante e a senhora ou senhorita que o acompanha, um chopp, na hora de servir o garçom inverterá o pedido. Desatenção? “Sinal de erosão daquelas boas-maneiras básicas, mínimas. Aquilo que parecia tão óbvio quanto dizer boa noite, por favor, obrigado”, como sugere Luiz Américo?

Sim e não. Ambos. Serviço à francesa, à americana, à russa, se sucederam ao longo do tempo. Mais recentemente surgiram no Brasil o sistema de rodizio e o sistema “é o senhor que serve” (sic), dito também self-service. É uma confusão muito grande. O garçom se sente não como a alma do serviço, mas como um mero auxiliar seu. Traz isso ou aquilo, leva o prato usado, etc.

Para pôr ordem nisso, é preciso um Senac de reciclagem dos garçons, recrutados sabe-se lá como. Alguém que explique que hospitalidade é mais do que colocar o garfo e a faca do “lado certo”, e que a abordagem do copo do cliente também tem lado mas que o garçom não precisa se espremer na parede para seguir a regra, etc etc.

Que tal fazermos um levantamento exaustivo das escorregadas do serviço para auxiliar as instituições dispostas a corrigir os rumos da hospitalidade que degenerou?

4 comentários:

manuela disse...

você não acha que esta preucupação excessiva com serviço e esse excesso de formalismo no serviço dos restaurantes daqui são oriundos de nossa herança escravista e do surgimento de uma profissão de garçom que só existe em razão da pobreza ?
por exemplo em paises com mais justiça social garçom é uma profissão temporaria de estudante(não estou falando de restaurantes mais caros e formais mais da media)

outra questão: qual a diferença de serviço russo e rodizio ?

Carlos Dória disse...

Manuela,
A herança do escravismo já vi no trato de clientes com garçons. Não vejo o garçom como fruto da pobreza. Você encontrará, na França, garçons que são profissionais antigos nas casas. Eles tem uma relação diferente com o proprietário: possuem um "ponto", que podem vender para outro garçom, e "compram" as mercadorias do dono do estabelecimento. Também vejo relações interessantes na Argentina: um afeto e respeito entre clientes e garçons que só pode nascer da longa convivência.
Quanto ao serviço, no russo é tudo servido junto.

manuela disse...

carlos
quando um garçom te chama de "doutor" ou quando você ve os carros mais caros parado na porta dos restaurantes
na minha opinião o garçom no brasil é excessivamente submisso e serviçal

quer um exemplo pratico: no brasil a maioria dos restaurantes(mesmo os mais baratos e teoricamente mais informais ) não deixam o vinho e a agua em cima da mesa para você mesmo se servir

acho isso exagerado, me faz lembrar situações que a meu ver são herança do escravismo como pedir para a empregada domestica pegar algum objeto que esta mais perto da pessoa
sem duvida isso vem de ambos os lados

quanto a profissão garçom o que eu vejo nas vezes que fui a frança é que a maior parte do serviço é feito por estudantes( pelo menos nos grandes centros )

nos eua eu posso afirmar isso com certeza, garçom é profissão de estudante e temporaria(logico isso não vale para os mais caros e formais, mas esses são minorias)

semana passada eu fui no excelente wallsé em ny,o restaurante tem uma estrela no michelin e tirando o somellier todos eram estudantes com destaque para uma linda barwoman de 20 e poucos anos super bem vestida e sozinha no bar

Maria disse...

Francamente, não vejo nada de ranço escravagista em querer que um profissional, seja lá qual for, faça a contento, o que é pago para fazer e que, com a auto-estima em dia, estudante ou profissional antigo, o faça com delicadeza condizente com os códigos sociais vigentes. Maria Dias

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