07/12/2009

Uma errata obrigatória

Depois do post abaixo, recebi telefonema de chef que muito prezo me chamando a atenção para o fato de que Adrià e outros tentam, há anos, importar tucupi sendo que não há esse produto com registro legal que permita exportação, ou mesmo uso corriqueiro entre nós, fora da região em que é produzido.

É uma coisa a lastimar, que atenua o que escrevi, mas que faz as autoridades brasileiras co-responsáveis por esse estado de coisas: uma culinária que vai se tornando apreciada no mundo e não se transforma em produto de exportação. Claro, isso incentiva simulacros nacionais e internacionais.

Mel de abelhas sem ferrão, queijo Canastra, tucupi... O que mais está nessa lista de produtos gastronômicos proibidos para nós mesmos e para os estrangeiros? Precisamos, urgente, de um inventário das intolerâncias oficiais a respeito da gastronomia brasileira. E de ação coordenada entre os interessados na liberdade de expressão culinária.

4 comentários:

Miguel disse...

Carlos,

Era nesse ponto que eu queria chegar quando comentei o post. Adrià teve que fazer uso da imaginação e memória por lhe ser impossível usar o tucupi "original".

Um abraço

Carlos Dória disse...

Sob este aspecto está coberto de razão. A reflexão sobre o artefato que é simulacro ficou momentaneamente prejudicada.

Fernanda disse...

Resposta a Josimar

“Imagine there`s no heaven, it`s easy if you try. No hell below us, above us only sky.”

Pobre, Ferran. Tão enamorado desta nossa iguaria, apenas mais um dos milhares de orgulhos nacionais, que teve de incluir em seu cobiçado cardápio uma réplica quase perfeita, para completar a lacuna sentimental que em seu coração restou desde que aqui esteve, provando da seiva gostosa dessa nossa raiz. Pobre, Ferran. Cercado por essa gente besta que agarra com unhas e dentes suas autenticidades culinárias e decreta champagne o que vem de Champagne, esses europeus caretas que inventaram a denominação de origem controlada (AOC), para protegerem comercialmente seus produtos. Mercenários! Ferran, não, Ferran é filantrópico. Desprendido dessa nata elitizada. Só porque usou da perspicácia para reproduzir caldinho encontrado no país tropical, por sentir imenso vazio dentro de si sem aquele sabor indescritível em sua boca, foi criticado por ranzinza brasileiro? Deixem Ferran em paz. Vai que um dia alguém civilizado descobre em seu restaurante o sabor do tucupi? Pronto, ficou fácil entrar na Europa. Esquece essa barreira fiscal que o terceiro mundo impõe sobre eles mesmos, o tucupi agora pode vir de laboratório, sem atravessar o atlântico! Já que os índios se engasgaram com o desprezo a eles mesmos, nós acadêmicos, extraímos a essência e proliferamos com inteligência. Pobre, Ferran.

“A solução pro nosso povo eu vou dar. Negócio bom assim ninguém nunca viu, tá tudo pronto aqui é só vir pegar, a solução é patentear o Brasil!” Além de não pagar nada, tem uns tantos que ainda nos darão razão, com discurso de que a culpa foi toda deles...

(ps: Josimar, o limite de 1000 caracteres em seu blog, obrigou-me a publicar aqui)

Filipe disse...

Olá gente, sou um amante de cozinha!
Queria dizer a respeito da minha raiva, sobre a exportação de tucupi, queijo serra da canastra entre outros produtos nacionais. Agora me digam o por que, que os queijos nao pasteurizados feitos com leite cru, como tallegio, gorgonzola, camenbert (alguns), podem entrar no brasil , é logico esses queijos sao maravilhosos e que bom que eles entram aqui para nos degusta-los, mas vamos exigir direitos iguais com esses paises, o quanto de Jamon pata negra nao entra aqui nesse pais, so por que eles sao europeusque pdoem jogar os produtos deles para onde eles quiserem vamos brigaar por isso. Abraço galeraaa fui.

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