18/03/2010

Tirar o chapeu para o Josimar Melo


É preciso coragem e e sentido de responsabilidade social para deixar de lado, ainda que momentaneamente, o oba-oba que a gastronomia requer para se ocupar daquilo que realmente afeta ou pode afetar a saúde dos consumidores e os negócios da indústria de alimentos.

Há cerca de um ano publiquei aqui dois posts, intitulados “o silêncio sobre o salmão dos últimos dias”.
Ali eu relatava o papel corajoso e as pressões que vinha sofrendo o New York Times ao denunciar o adoecimento do salmão chileno por conta de parasitas e medicamentos ministrados. E reclamava também da alienação da mídia nacional em relação a esse tipo de problemas alimentares. Não havia, até então, uma única análise sobre a crise do salmão.

Hoje precisamos tirar o chapéu para Josimar Melo pela matéria “Mar revolto” (para assinantes) que conta tudo sobre o mal do salmão.

Ele não está nem um pouco preocupado com os 30 milhões de porções/ano de salmão que são servidas no Brasil e que, claro, afetam diretamente o cotidiano e os interesses de centenas de restaurantes japoneses e outros. Ou melhor: está preocupadíssimo com o fato de que isso se sobrepõe, na imprensa, aos interesses dos consumidores, e resolveu denunciar a mazela do peixe.

A mudança de atitude que isso representa para a grande imprensa é enorme. Amanhã ou depois, se a moda pega, saberemos o que há de podre no reino dos frangos; no reino das batatas; no reino dos morangos....

2 comentários:

Maria disse...

Puxa... gostaria muito de ler a matéria... saiu apenas em mídia digital ou há impressa também?
Um abraço.

Carlos Dória disse...

Está na edição impressa da Folha de hoje.

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