30/05/2011

Vegetarianismo militante

Gourmets e gourmands em geral não gostam de vegetarianos. Também, pudera, a espécie humana levou milênios para se tornar onivora e isso significou a sua chance de sobrevivência. Se não fosse o carnivorismo não teria desenvolvido o seu cérebro como o fez.

No polo oposto, os vegetarianos parecem cindir a natureza ao meio: a natureza “do bem” e aquela “do mal”. Esta última se constrói ideologicamente através da “humanização” dos animais, estigmatizando aqueles que os tomam por alimento. O antigo “it”, que era reservado para eles na língua inglesa, foi substituido por “he” ou “she” - em resumo, a natureza é representada como um imenso zoológico “pet”. Dai decorre o antagonismo. Na outra ponta, vislumbra-se um jardim botânico comestível.

O gosto e o afeto caminham juntos no seio da nutrição e o território do comestível se estreita na razão inversa da querência. Os vegetarianos se irmanam aos animais na luta pela sobrevivência que recai, com voracidade, sobre o mundo vegetal. De fato, eles recusam o monismo, que não vê sentido na separação entre espírito e matéria. Postando-se do lado do “espírito”, não suportam o “sofrimento” dos gansos em gavage, que lhes parece mais terrível do que picar um alho porro.

Ao voltarem as costas para o mundo animal, parece não lhes dizer respeito a degradação de espécies domésticas como o salmão ou o frango. Preferem guardar suas energias para celebrar o orgânico, o sustentável ou seja lá o que for que reforce sua opção pelo vegetal.

Mas o mundo é terrível, e tudo se deteriora sob a égide do capitalismo. Mais e mais aparecem notícias de que quantidades crescentes de celulose têm sido adicionadas aos produtos orgânicos de prateleira. Mais e mais constata-se que comerciantes de orgânicos silenciam sobre a presença de transgênicos em suas elaborações. Heróis, tornam-se vilões; e o mundo putrefato do capitalismo vai se impondo por dentro das sementes desse jardim botânico comestível.

Mas o aspecto religioso dessa opção só amplia o rol de problemas a lidar para se manter a pureza da “natureza natural” (sic). O hipernaturalismo vegetariano é, antes de ser um modo de comer, um modo de vida e uma causa.

Prefiro ainda a visão ingenua do mundo vegetal, como nos legou a nouvelle cuisine, como fonte de prazeres aos quais atentar. Já tratei aqui da visão de Roger Vergé sobre isso. Poderíamos acrescentar Georges Blanc e tantos outros. Em todos eles, e antes da “militância verde”, a natureza é una e os prazeres ao comer podem nos chegar de qualquer parte.

22 comentários:

Anônimo disse...

Doutor em sociologia, é? Pois não parece...
Invocar a ancestralidade e importância (pré)histórica do onivorismo não vale. Pelo menos não fora de contexto. Senão qualquer um pode argumentar que foi "graças" as benesses de séculos de regimes escravocratas que a humanidade pode chegar ao pujante capitalismo atual, gerador de progresso, oportunidades e bem-estar.
Ou que violência eh um aspecto marcante do ser humano e indispensável ao processo “civilizatório” – afinal, sem conquistas e invasões violentas (genocídio dos povos pré-colombianos na América Latina, por exemplo) não teríamos o mundo globalizado e um monte de temperinhos exóticos na prateleira, certo?
Frases de efeito, cortina-de-fumaça e erudição de butique não são argumentos contra o vegetarianismo. Pra falar a verdade, não existem argumentos contra o vegetarianismo. Nem os colossais gregos conseguiram! Não será um restauranteur paulistano quatrocentão meio decadente o pioneiro salvador do pensamento churrasqueiro.
As coisas mais daninhas entram ou saem pela boca...

Raquel Ribeiro disse...

“Gourmets e gourmands em geral não gostam de vegetarianos”, começa esse equivocado post... Como assim? O senhor nunca ouviu falar em cozinheiros vegetarianos? Não sabe que há dezenas de livros de receitas sobre o tema? Acredita mesmo que comemos apenas alface e que nossa cozinha é deserta de sabores? Sugiro uma rápida busca do google para se deparar com um apetitoso universo gastronômico bem na ponta do seu nariz. Com todo seu aparente savoir faire, certamente saberá escolher uma receita digna do seu apetite. Prepare, prove e, quem sabe, escreva outro post menos preconceitoso :)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Uma coisa que me impressiona no vegetarianismo atual é que do ponto de vista ambiental soja não orgânica, bebidas industrializadas, margarinas, óleo de milho-algodão transgênicos, farinha branca, xaropes de milho e todas as formas de sacarose refinada e outros alimentos usados largamente pelos vegetarianos-veganos são tão cruéis a fauna quanto o vitelo e foie gras. Todos os veganos que conheço dizem abertamente que preferem ver o Cerrado transformado em monocultura de soja, devastando a fauna e flora nativos, a comer 1 ovo orgânico de uma galinha caipira do quintal do sítio da família que vive de agricultura de susbsistência...
Discordo de muita coisa colocada acima, mas por outro lado, vejo alguns pontos a serem levantados que vegetariano nenhum responde.

Michele Maia disse...

Olá Carlos,
Sou chef de cozinha vegetariana e me sinto decepcionada e triste quando leio artigos como o seu. Me dá até um certo desânimo perceber que apesar de estudo e erudição, falta em muita gente uma qualidade simples, a tolerância. Sinceramente, tenho muitos argumentos a favor do vegetarianismo e mesmo assim não fico no meu blog atacando onívoros, até porque já fui uma e acho que cada um tem sua verdade e seu momento. Dizer que a culinária vegetariana é um "jardim botânico" é uma visão tacanha e simplória do universo gastronômico na qual essa especialidade culinária se encontra. Acho que você deve pesquisar mais. Conheça o meu blog para dar início nessa pesquisa (www.michelevege.blogspot.com).
Infelizmente, muita gente pensa que a supremecia humana é incontroversa e que o resto do mundo existe para nos dar prazer. Eu espero que um dia não apareça uma criatura mais inteligente que nós e resolva nos comer. Nesse dia qual será o seu argumento?

Sabrina disse...

Apesar de não concordar com os argumentos do post, ele está muito bem escrito, como sempre. Adoro a forma superior, mas ao mesmo tempo tão singela e franca, com a qual expõe suas idéias; seu poder de analisar friamente os dois lados faz com que alguns, como o anônimo acima, que provavelmente não conhecem o seu trabalho e engajamento, tampouco entenderam a conclusão do post em questão, pensem que você é um insensível que pouco se importa com os animais. Às vezes é bom deixar o advogado de defesa de lado e ponderar os pratos da balança... Pensando na reação dos demais leitores, me questiono quem mais, assim como eu, independentemente do tema ou posicionamento postado, o lê até o fim, com gosto, assim como ao final de um livro, pois nunca se sabe como terminará... Abraço!

Carlos Dória disse...

Sabrina, acho que você tocou no ponto: ler, meditar, compreender, contra-argumentar. Pular as etapas para se atirar na contestação raramente dá certo. Eu tento discutir a ideologia vegetariana que cinde a natureza ao meio, só isso. Indico o tratamento exemplar dos vegetais por Roger Vergé, num dos seus melhores livros de receitas. Mas só você conseguiu ler isso. Obrigado.

Jeanpi disse...

O "anonimo" foi porque algum bug no sistema do blog nao me permitiu postar com minha conta do google... Vou tentar agora.
Mas que papo eh esse? Esta falando do mesmo Roger Verge que propoe tratamentos igualmente singulares, exemplares, quase tantricos, para diferentes cortes de inumeros bichos? Francamente...
Em todos os tempos, quem reclamou contra a ditadura de plantao no poder (fosse uma igreja, um regime ou uma ideologia) foi preso, torturado e/ou eliminado. Nao sem antes ser acusado de ferir, ofender ou "cindir" a tradicao, a vontade divina, a natureza... Pois nao eh que o autor se prestou, neste espaco, a esta anacronica e daninha forma de julgamento?
Quem eh que cinde a natureza ao meio? Alias, quem eh que cinde os "amigos" em comestiveis ou companheiros? Quem esta comendo, em ritmo acelerado e literal, a amazonia pelas beiradas?
Nem se trata de achar que o autor nao se importa com os animais. Ele postou, digamos, um desabafo, um tanto equivocado, contra uma suposta intransigencia vegetariana em relacao a habitos alimentares seculares. Fica parecendo um meio de justificar o consumo de carne. O autor caiu na velha tentacao, por assim dizer, de desvalorizar, diminuir, desprestigiar (e assim por diante) o vegetarianismo como um todo.
Meu ponto eh que comer carne eh legitimo (ainda nao eh ilegal), eh fato consumado, eh habito milenar (sublinhe-se HABITO), eh gostoso para muitos (o que nao se discute), e eh mil outras coisas. Mas NAO EH justificavel! Nao ha argumentacao razoavel e coerente contra o vegetarianismo em si. E quanto mais o mundo gira, mais exata essa constatacao.
Nao precisa juntar-se a nos; mas tambem nao eh legal nos menosprezar.

VegVida disse...

Primeiro problema do artigo: vegetarianos jamais enxergarão vegetais como meros coadjuvantes, opções a um mundo de carnes ou apenas acompanhamentos. O que muitos chefes consagrados fazem, infelizmente. Vegetais não são o objeto da nossa militância (animais o são, por suas próprias características em especial a senciência, sem necessidade de qualquer humanização), mas nossa matérias prima, nossa fonte de sobrevivência e seu uso é amplo, livre e sujeito a todo tipo de escolha, desde a mais simples como manter a própria horta de temperos/legumes/hortaliças até fazer experiências com texturas e sabores de todo o mundo.
Segundo: o autor do texto não se deu ao trabalho de conversar com um cozinheiro vegetariano ou vegano e questioná-lo sobre sua posição em relação aos animais e em relação a gastronomia. Tirou conclusões partindo de premissas bastante falhas, aliás.
Terceiro: a culinária vegetariana tem um único padrão (não utilizar animais e seus produtos) e todas as demais escolhas são tão variáveis quanto as de qualquer outra cozinha.
Quarto: gastrônomos em geral não gostam de vegetarianos pois eles ameaçam mudar uma área de conforto. Embora cozinheiros mundo afora nos apontem o dedo dizendo que não há limites à arte culinária, nenhum deles recusaria o conceito de que a gastronomia é um produto cultural. Ora, se cultural, é relativo a valores. E, enquanto expressão axiológica, ampara desde valores estéticos até valores religiosos e éticos e sua evolução.
Atenciosamente
Renata Octaviani Martins
www.vegvida.com.br
www.flickr.com/photos/vegvida
www.flickr.com/photos/vegvida2

Leonardo disse...

Só para corrigir sua primeira desinformação dentre tantas aqui desenvoltas. Evoluímos não pelo consumo de carne, chimpanzés também caçam e continuam macacos... Só passamos a evoluir quando conseguimos utilizar o polegar opositor independentemente. O que os chimpanzés também o tem, mas não consegue utilizar de forma apropriada.
Muito obrigado pela atenção, beijo nos corações de todos vocês e busquem escrever textos que vão além dos clichês e senso-comuns ingenuamente rasos como um pires.

Carlos Dória disse...

Renata, estou de acordo com o que você diz:"gastrônomos em geral não gostam de vegetarianos pois eles ameaçam mudar uma área de conforto. Embora cozinheiros mundo afora nos apontem o dedo dizendo que não há limites à arte culinária, nenhum deles recusaria o conceito de que a gastronomia é um produto cultural. Ora, se cultural, é relativo a valores. E, enquanto expressão axiológica, ampara desde valores estéticos até valores religiosos e éticos e sua evolução". Só não vejo a evolução nessa visão finalista.

Anônimo disse...

Renata

Parabéns!

Sem mais.

Anônimo disse...

Que tristeza este senhor... Quanta desinformação em relação à filosofia de vida vegetariana/vegana... Quanto preconceito ao diferente, àquilo que questiona o status quo imposto por quem tem interesse que assim o seja e que nada se questione sobre o chamado "tradicional", "cultural", como se fossem conceitos absolutos, estanques e que justificassem qualquer atrocidade perpétua... A evolução que ele não enxerga vem justamente com pessoas menos apegadas ao ato mais elementar e primitivo do seres (comer) e mais preocupadas com a ética, o respeito aos demais seres e a convivência harmoniosa (afinal, não seríamos os seres racionais? temos muito mais responsabilidade que qualquer outro ser vivo!)... Não estamos sozinhos no planeta e nenhum outro animal existe para os propósitos dos animais humanos... Esse é o cerne da filosofia vegetariana/vegana... E com tanta tecnologia disponível em todos os setores, é obsceno e totalmente imoral ainda achar normal o sofrimento e a exploração a que são submetidos diariamente tantos seres inocentes... É de uma arrogância e petulância infinitas, mas que terão seu preço cedo ou tarde... Só não vê quem não quer... "Pedir respeito aos animais não-humanos pode soar estranho; assim como já houve quem achasse estranho querer igualar um branco a um negro, ou a mulher ao homem". Att., Juliana Arosi.

Carlos Dória disse...

Leonardo, a carne cozida está relacionada com o processo de encefalização. Se conhece bibliografia discordante, por favor me indique que este é assunto de meu interesse. Quanto aos demais aspectos, como o uso das mãos para fazer ferramentas, os instrumentos de caça estão entre os primeiros, não é? Grato, abraços

VegVida disse...

Entenda evolução enquanto mudança. O parâmetro ético que considera animais seres sencientes e, portanto, sujeitos de direito relativos a não serem propriedade, não serem mortos ou explorados é um produto cultural em plena mudança. Goste ou não.
Até porque alimentar um ganso, abatê-lo e comê-lo só não é diferente que picar alho poró para quem tem um senso de realidade bastante distorcido ou busca uma solução etérea pra tentar se eximir de problemas bastante materiais como dor, sofrimento e um abate desnecessário à sobrevivência humana. A natureza é amoral; mas nós, humanos, não somos nem amorais nem aculturais.
De resto, como já ficou bem claro, o artigo todo emana um preconceito bastante claro sobre o que é vegetarianismo/veganismo e a forma como lidamos com nossa comida.
Gastrônomos em geral, incluindo de Roger Vergé a Alain Passard e tantos outros, podem nos ensinar muito sobre técnicas com vegetais, embora frequentementes se debrucem apenas sobre hortaliças; eu mesma tenho uma razoável biblioteca gastronômica, incluindo desde autores e livros consagrado até autores e trabalhos dos que começaram a desbravar o mundo dessa gastronomia pela ética animal, nova e ampla, a ser descoberta. O problema é que um livro que cobre risotos com manteiga e utiliza caldos de carne, peixe ou vitela em sopas que deveriam ser vegetais fala outra língua, bem diferente da minha, que eu tenho plena liberdade de negar e modificar.

Veganizando disse...

"os vegetarianos parecem cindir a natureza ao meio"
Caro senhor, cindido ao meio está o seu artigo.
Vegetarianos não humanizam os animais, apenas reconhecem a sua senciência, isto é, a capacidade de sofrer e sentir dor.
E como comentou a VegVida, aí acima, "alimentar um ganso, abatê-lo e comê-lo só não é diferente que picar alho poró para quem tem um senso de realidade bastante distorcido ou busca uma solução etérea pra tentar se eximir de problemas bastante materiais como dor, sofrimento e um abate desnecessário à sobrevivência humana".
Eu diria que comparar gansos em gavage com o ato de picar alho poró constitui um tipo de alienação; a alienação ética.
Infelizmente, sei que nossos comentários incomodam, pois tratam de valores. E quando falamos de valores temos a oportunidade de perceber que a nossa auto-imagem benevolente nem sempre corresponde a realidade que criamos e vivemos.

Att.
Um abraço

http://veganizando.blogspot.com/

Anônimo disse...

Ta dificil esse pessoal entender o texto...

Anônimo disse...

Mestre, não tem jeito, eles descem a lenha mas não discutem o argumento. Não há quinoa que nos dê aminoácido suficientes.

Eu já fui vaiado por dizer que carne de cavalo era uma delícia.

Imagine quando relativizarmos a questão das carnes de cães e gatos...

Mariana disse...

Aparentemente é muito mais fácil radicalizar e colocar vegetarianos e onívoros em pólos opostos, como em uma luta entre Bem e Mal. Igualmente simplista é entender o vegetarianismo como a solução para o sofrimento de animais e a emissão de gases formadores de efeito estufa. Vegetarianos assim se escusam de pensar sobre formas alternativas de criação, abate e consumo de gado, bem como sobre os riscos de extinção de diversas espécies de peixes devido à pesca predatória, e não querem nem ouvir falar sobre a inovadora produção de foie gras en Extremadura. Todas questões realistas e efetivas em um mundo onde não se vai deixar de comer carne. Como ex-pescatariana, gaúcha que cresceu comendo churrasco, cozinheira e comilona, me parece muito mais válido saber de onde vem a carne que eu como, como viveu o animal, entender como desconjuntar um bicho inteiro, usar carne, ossos e entranhas sem desperdício, do que passar reto pelo açougue e fingir que não é comigo. Igualmente alienado é o ato de só ver a carne como um pedaço (de preferência o filé) que vem embalado do supermercado e que deve ser servido em todas as refeições. Tão mais fácil pra algumas pessoas se armarem de pedras ao invés de pensarem um pouco sobre opiniões dissonantes das suas próprias...

Rubens Ghidini disse...

Entender o significado de um texto é uma arte... Brigar com com Darwin não dá, não é mesmo?
Um grande abraço, Professor!

Claudia disse...

Dória,

Adoro teus desabafos, super pessoal, coisas que fazem sentido para você. OK. Mas nada faz muito sentido nesta postagem.

Vegetarianos não são horror de gourmets ou gourmand algum... de onde você tirou isso? Como se não fosse possível ser goumert e vegetariano. Bola n'água. Já fostes a Índia?

Enfim, nada além da decadência da qualidade dos alimentos, como um todo, anda horrorizando os verdadeiros gourmets. Gourmet bobo perde tempo preocupado com aqueles que não comem carne.

E vamos combinar, você está perdendo uma chance boa de sair na frente em defesa dos orgânicos. Vai se arrepender disso no futuro. Acusar orgânicos de se deixar misturar com transgênicos? tá louco, nego? São os transgênicos que andam a contaminar tudo e você entende tudo ao contrário. Um caso não significa o todo e eu não conheço um produtor de orgânico que trabalhe para se deixar contaminar por OGM para enganar ou ludibriar o povo. Orgânicos são em sua maioria de qualidade superior aos produtos tidos como "gourmet" em qualquer prateleira de qualquer mercadinho de luxo do planeta.

Sua indiferença a importância da agricultura orgânica para o futuro da agricultura e da qualidade da comida brasileira que você diz prezar é um furo na tua formação. Furaço que faz você deixar passar temas importantes nesse teu bloguinho simpático pacas.

Enfim, tenho certeza que vou te ver sair do pedestal elitista e confortável da crítica em prol da qualidade da agricultura brasileira que passa NECESSARIAMENTE pela conversão total para a agricultura orgânica.

Abraços,

C.

Carlos Dória disse...

Claudia,
Entendo o partido político dos vegetarianos. Só não gosto da visão religiosa que, em geral, vem de contrabando. Sobre os orgânicos, virou panacéia. Sou contra esse processo de degradação da qualidade alimentar e acho que gourmets, gourmands, chefes, chefinhos e chefestes são alienados quanto a isso. É preciso avançar, não repetir mantras.
Escrevi alguma coisa sobre isso há tempos:
http://ebocalivre.blogspot.com/2010/02/as-fronteiras-da-gastronomia-i.html

http://ebocalivre.blogspot.com/2010/02/as-fronteiras-da-gastronomia-ii.html

A "conversão total para a agricultura orgânica" é uma bela utopia. Pessoalmente, a legalização dos queijos de leite cru já me deixaria muito feliz. E aos "organicos" também.

O bloguinho, Claudia, nem sempre é simpático. Nem pretende.
Abraços

Anônimo disse...

Acho estranho aqueles que não comem carne por pena dos animais, mas que consomem leite de vacas confinadas, alimentadas com ração e hormonios. Eu também ficaria contente com a legalização dos queijos feitos com leite cru, ainda mais, se viessem de vacas que comem capim! Acredito que este é um produto mais saudável, mais saboroso e fico contente por saber que as vacas são criadas soltas. Quanto aos orgânicos, concordo plenamente, muitos acham que comer um ovo "organico" de uma galinha alimentada com soja "organica" é uma atitute ecologicamente correta... Mas realmente, o patê de fígado de ganso e a carne de vitelo eu não consumo por discodar de práticas que considero extremamente cruéis. Um abraço Flávia

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