23/02/2012

Leitor de 5ª - a opção do devezenquandário

Paladar embarca hoje na mortadela, em matéria de Olivia Fraga. Como todo ingrediente estrangeiro eleito pelo caderno, é a ode do original, da D.O.C., e a dúvida lançada sobre as imitações. A matéria compara mortadelas italianas (bolonhesas) com a Ceratti e a Sadia. É mesmo covardia. Todos os embutidos brasileiros industriais, sem excessão, levam muito sal, muito alho e muito cravo. Um tempero bruto, grosseiro, que nos faz admirar a quantidade industrial de fatias de mortadela que encontramos naquele horrendo sanduiche do Mercado Central.

Mas muitos são os caminhos do gosto popular. Não raro pode-se ver, principalmente nos bares das grandes cidades do Nordeste, o naco de mortadela com mais de um dedo de grossura, frito na chapa - coisa que se come no balcão logo cedo, em prato, acompanhada por um suco de graviola, por exemplo. Mortadela de baixa qualidade, preparada com sabe-se lá que carnes e que, outrora, denunciou-se que levava até papel de jornal na massa.

Então, é dificil entender o combate ao “preconceito gastronômico” a que o jornal se propõe. Mortadela popular - dita mortandela - é outra coisa. Evitá-la não é preconceito. É salvar o conceito.

Luiz Américo nos recomenda uma visita ao Osteria del Pettirosso, que entrou nos trilhos. Luiz Horta viaja nos tokaji. Omite o Oremus Tokaji (Mandolas furmint, da casa húngara da Vega-Sicilia). Fiquei curioso para saber por que.

Breve nota indica a nova tentativa de Lourdes Hernandez de fazer um restaurante de rua. Vamos cruzar os dedos para que, desta vez, dê certo.

Um devezenquandário não é má idéia. Parece que Comida optou por esse caminho, a julgar pelo fato de que nos últimos 60 dias é a segunda vez que falhou. No final do ano e, agora, no carnaval. Claro, ninguém é de ferro. Mas nós sabemos que os suplementos funcionam bem como leitura de praia, de modo que é uma pena.

Também nunca entendi muito bem esse negócio de férias de colunistas. Dá a impressão de que, quando não estão de férias, são obrigados a escrever o que escrevem, mesmo sem achar assunto. Mas, confesso, há dias nos quais eu mesmo tiro férias dos jornais: não leio e pronto. Se isso coincidisse com a periodicidade de-vez-em-quando seria o melhor dos mundos! O gostinho das férias nunca se dissiparia por completo.

Resultado prático: não vou ficar aqui enchendo linguiça ou mortadela.

2 comentários:

Luiz Horta disse...

Oh carlos, nao omiti os extraordinarios oremus. mas a matéria era só sobre os royal tokaji, e não sobre os tokaji disponiveis no mercado, matéria que virá no futuro. dediquei a curta coluna aos vinhos de hugh johnson.

Carlos Dória disse...

Mas deu saudades do Oremus, ficou um buraco no leitor...

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