22/02/2012

Primeiro giro no girarrosto

Dei um giro pelo espaço interno, tendo como cicerone a gentil recepcionista. São vários ambientes, divididos em espaços destinados à restaurante, bar, pizzaria. O que é “restaurante”, subdividido em espaço informal-tenso, e formal metido a besta. O piso? Madeira fake.

São 92 escolhas no cardápio, e antes que você comece a ler um maitre lhe traz a carta de vinhos. “Vou escolher o que comer e DEPOIS escolherei o vinho”. Ele, gentilmente, entende a precipitação. Não é fácil compor qualquer refeição com 92 escolhas.

Depois que você estuda todas as opções - tudo muito bem explicadinho - e ordena, qual não é a surpresa! O mesmo maitre tira da sua mesa a carta de vinho! “Senhor, eu ia escolher o prato para escolher o vinho, mas agora que escolhi o prato o senhor me tira a carta de vinho?” Pede desculpas. Você escolhe o vinho, e ele não parece estar muito de acordo que você tome um vinho branco. Mas o freguês sempre tem razão... Uma casa com muitos garçons, gentis, mas talvez maitres demais... o que, na minha opinião, só aumenta a confusão.

Escolho um cone de lulas fritas de entrada. De prato, escolhe-se uma codorna recheada com legumes do “girarrosto” e um arroz negro com lulas e abobrinhas. Claro! Você podia se dar conta de que estava cometendo um erro, repetindo a lula. Mas não é que se trata da mesma lula frita (alias, um pouco gordurosa demais)? Ninguém lhe adverte da cacofonia e, em meio a 92 escolhas, quando você faz a segunda já esqueceu da primeira.

O arroz é razoável, nada excepcional, mas a codorna é muito boa! Isso anima a uma sobremesa. Semifreddo! Adoro semifreddo! E lá está um, de praline e marzipan. Quando chega, difícil esconder a decepção: é um “montadinho” de praline e marzipan, com camadas alternadas. Onde o semifreddo? Passou longe desse conceito. Só pode ser um erro de classificação de uma sobremesa doce demais.

O cardápio, inteligentemente pode ser levado para casa. Melhor, pois você poderá, da próxima vez, fazer um seminário e se decidir pelo que comer, antes de ir. E no verso do cardápio está a “Gazeta Pandoro”, um informativo sobre a gente que frequentará o restaurante, além de umas poucas informações internas.

Nesse primeiro número o editorial, assinado por Paulo Kress Moreira, começa dizendo: “quando Paulo Barros e eu fomos convidados para assumi a operação do Pandoro...”. Leio até o fim e fico sem saber QUEM convidou. Também não há uma palavra sobre Massimo Barletti, que Arnaldo Lorençato conta que dirigirá a cozinha e é o “responsável por desenvolver o cardápio junto com Barros”. A impressão é que o cozinheiro-empresário é figura que se sobreporá àquela que está com a barriga no fogão, talvez recuperando velho costume de cobrir com o manto do anonimato quem de fato cozinha.

Segundo ainda Lorençato, “a intenção é replicar a marca Pandoro”. Mas você não a vê em parte alguma, exceto como minúscula assinatura no cartão de visita da casa (além, é claro, da “Gazeta Pandoro”). Pandoro era uma boa marca, mas o que se vê não remete ao que ela sugeria. Pandoro é apenas um retrato na parede. Mas como dói! - ainda que venhamos a nos afeiçoar ao Girarrosto.

Enfim, uma casa muito grande e com muitas opções, impossível de se fazer um juízo abrangente em uma só visita. Vamos esperar o Alhos se encher de coragem e ir até lá nos fornecer um norte.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Doria, vamos la.

1- vc tem razao no semifreddo foi erro de impresao, ja tinha percebido e sera corrigido na proxima.

2- na primeira gazeta pandoro nao teve espaço para colocar todo o conceito do restaurante, ela sera trocada todo mes, assim nos possibilita dos clientes entenderem todo conceito.

3- Massimo Barletti sem duvida esta com a barriga no fogao, ( a minha esta no italy) nao sera encoberto pelo cozinheiro/empresario assim como outras casas que atuo ( sem a barriga no fogao) quem aparecem sao os chefes que tocam o dia dia como Pascal Valero, no kaa, e Ivo Lopes no due do shopp( quando era socio) e como ficou claro a posiçao de Barletti na materia do Lorençato.

cordial abraço
Paulo de Barros

Carlos Dória disse...

Paulo, obrigado pelos esclarecimentos.
Abraços

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