30/03/2015

O prazer que nos mata

Persiste ainda um raciocínio mecanicista no tocante ao “bem” ou ao “mal” que a alimentação pode nos fazer. Muita gente acredita que somos como os animais, que agem apenas por instinto e raramente comem outros animais de cor amarela ou preta, interpretadas como sinal de perigo.



Há centena de milênios não somos assim. Deixamos de nos autotransformar e passamos a transformar o meio para prover a vida. Nisso, nossos instintos também se transformaram; tornaram-se sociais, solidários, e não mais daquele tipo estímulo-resposta das outras espécies animais. A rigor, não sabemos mais o que é bom ou ruim se a cultura não nos disser. E ela é também cheia de armadilhas que só a química, a medicina e a farmácia podem indicar.

Nós, ao contrário de outros animais, comemos coisas “perigosas” que nos atraem de modo sedutor. Por exemplo, você deve gostar de noz moscada. Pois bem, uma só noz contem quantidade suficiente de miristicina para matar um ser humano. O cravo também é toxico, contendo quantidade pequena de amanitoidina, veneno presente naquele cogumelo fatal e bonito. Já o churrasco que comemos ao ar livre, além de saboroso possui quantidades consideráveis de benzopirenos muito cancerígenos.

Comer saudável? O discurso moral soa inútil, a menos pelo “sentir-se bem” das pessoas crédulas. O “mal” está inserido no “bem”, e age no longo prazo. Comer o que se quer, com moderação, parece ser o caminho mais seguro.

1 comentários:

Georgia Bastos disse...

Me identifiquei!! rs.
Que vivamos felizes, por que morrer é a única certeza ........

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